História da Moda


 
Qual a importância da História da Moda? O que ela representa para nós nos dias de hoje? É isso que iremos descobrir agora.
 História é a ciência que estuda a relação do homem com a natureza e seus semelhantes, através dos tempos. Das relações com a natureza, derivam os modos de sobrevivência e a religião. Das relações com seus semelhantes, os homens criaram as sociedades e suas formas políticas, representadas através da cultura das aparências.
A ciência histórica observa a ação humana por vários aspectos. A arte é o aspecto que mostra a ação do homem, através da impressão de valores estéticos nos objetos, mostra que este é capaz de criar e construir, e portanto, é o olhar através da imagem construída e humanamente retratada, da construção das civilizações e de suas mentalidades e modos de viver.
A história das aparências é uma linha de estudos de moda que tem hoje grande importância para os estudos das ciências humanas, pois, o que nela se deixa observar, serve para demonstrar o parâmetro de elegância como termômetro da relação do indivíduo com sua cultura, num determinado tempo e lugar. A moda guarda a memória de cada tempo, como demonstração da arte de viver de um período ou de um povo, quando não, as duas coisas ao mesmo tempo.
Segundo Daniel Roche (2007) em seu tradicional texto sobre a cultura das aparências, os trajes de moda servem para exibição de poder como marca de distinção social, mostrando valores ilusórios nos quais a extravagância, a loucura e o valor mercantil zombam das maneiras ordinárias e dos hábitos plebeus e vulgares. Porém, o que de fato acrescenta seu parecer sobre os estudos da moda é sua visão marcante deste fenômeno, como grande estimulador do comércio mercantil que, carrega consigo o valor cultural da mudança, no processo civilizador da cultura ocidental.



Na cultura ocidental, tudo que é novo, tudo que muda é moda, toda nova aparência é moda, é moderna e por esse motivo, o estudo das aparências deve estar dentro do universo da história social e cultural, das suas praticas e formação de estatutos morais e éticos.
O historiador Fernand Braudel, citado por Roche, coloca o estudo das roupas e dos modos de vestir como parte da história dos comportamentos sociais e da história da cultura material, lembrando que no séc. XVIII, a Enciclopédia definia a palavra roupa como “tudo que serve para cobrir o corpo, para adorná-lo ou para protegê-lo das injurias do ar”. Como modo de vestir, preferia-se a expressão costume.
Todos os estudos de moda apontam o período moderno como o demarcador temporal deste fenômeno. Roche (2007) nos fala do impacto dos movimentos de Reforma Protestante e Contra-Reforma Católica sobre o debate moral que este período apresentou sobre as condições da riqueza e pobreza, e como a roupa se tornou o centro desse debate porque carregava o valor de luxo e ostentação, próprios da nova estrutura social absolutista.
Ainda hoje, a moda, como qualquer outro empreendimento estético, que junta objeto, imagem, desejo e prazer, tem como função resolver formalmente, em um nível imaginário, o padrão ético e moral da sociedade capitalista, uma vez que junta a beleza, o êxito e o viver na cidade. Motivo pelo qual é urgente que as ciências que observam o corpo considerem os novos olhares da moda para sua função, como manifestação social.
Acredito que a moda veicula sentidos que ultrapassam o gosto pela roupa nova e, a carga moral, ética e estética, que daí deriva. Para mim, a moda, além de articular sentimentos que transpassam a vida de uma comunidade, é capaz de gerar um número enorme de produtos, empregos e circulação monetária e isso precisa ser estudado com mais profundidade.




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